Cases de sucesso . Engenharia de usabilidade

Evidência objetiva que antecipa o problema antes do mercado

Aplicamos engenharia de usabilidade (ABNT NBR IEC 62366-1) e gestão de risco (ISO 14971) para validar, com usuários reais e representativos, que um dispositivo médico é seguro e eficaz no uso pretendido, gerando a evidência que sustenta o registro e antecipa problemas que, no mercado, custam caro.

Como ler este material. Cada case usa apenas dados reais anonimizados dos relatórios entregues para clientes reais. No final desta página você encontrará o contexto do setor, com números públicos e suas fontes.

Case 01

Endoscopia digestiva

Clipe hemostático descartável

Aprovado
15endoscopistas
6instituições
6cenários de risco
~10 anosexperiência média
O desafio

Validar, para fins regulatórios, a interface de um hemoclip descartável usado em situações de hemostasia em que erro ou hesitação têm consequências imediatas para o paciente.

O que encontramos

Todos os 6 cenários ficaram dentro do critério de aceitação de risco. As 20 ocorrências de dificuldade foram hesitações pontuais superadas pelos próprios usuários, ligadas à expectativa de força de acionamento (reinterpretada por vários como fator de segurança) e a hábitos formados com concorrentes. Nenhuma resultou em risco inaceitável. Ergonomia da manopla, feedback tátil do disparo, precisão da rotação e a função de reposicionamento foram elogiados como indispensáveis.

Resultado

Interface aprovada, com dossiê de evidência objetiva pronto para submissão e um conjunto de melhorias incrementais de baixo custo para a próxima revisão.

Case 02

Dermatologia e medicina estética

Implante injetável bioestimulador de colágeno (preenchedor)

Aprovado com plano de ação
12usuários
6médicos
6outros profissionais
5cenários de risco
O desafio

Validar a interface de um preenchedor injetável de uso profissional, em que a preparação e a técnica de aplicação são determinantes para a segurança do paciente.

O que encontramos

O estudo expôs achados que só aparecem com usuário real: uma lacuna crítica na Instrução de Uso sobre diluição (a maioria procurou a informação e não encontrou); apoio de dedo da seringa pequeno demais para a viscosidade; dificuldade de abertura da embalagem estéril; e um vazamento de conexão causado por diluição incorreta (rastreado à falta de orientação, não a falha mecânica). Quando corretamente diluído, o desempenho foi elogiado.

Resultado

Aprovação condicional com plano de ação assinado pelo fabricante: revisão da IFU com tabela de diluição por área, apoio ergonômico como item padrão e embalagem com abertura facilitada. Problemas resolvidos no projeto, antes de chegarem ao consultório.

Case 03

Nefrologia

Reprocessador de dialisadores para hemodiálise

Aprovado com plano de ação
Formativa+ sumativa
Enfermagemusuário pretendido
IEC62366-1
O desafio

Avaliar a interface de um equipamento de reprocessamento usado em rotina de hemodiálise, operado por equipe de enfermagem, em que preparo de soluções e sanitização envolvem risco real.

O que encontramos

O equipamento se mostrou seguro no uso, sem erros que gerassem risco inaceitável. As dificuldades se concentraram em dois pontos acionáveis: tarefas menos frequentes (preparo de soluções, preparo da máquina, sanitização) e a localização de informações na documentação acompanhante (o tipo de gargalo que se resolve com documentação e treinamento melhores).

Resultado

Interface aprovada com plano de ação, direcionando o fabricante para onde reforçar documentação e treinamento, em vez de descobrir esses pontos em campo, com a operação rodando.

Case 04

Cuidado respiratório

Sistema de lavagem nasal (uso leigo, domiciliar)

Aprovado com plano de ação
15usuários leigos
4cenários de risco
~26%usaram água errada
O desafio

Validar um dispositivo de uso domiciliar por pessoas leigas, que é o cenário mais desafiador de usabilidade, porque não há treinamento prévio e a margem para má interpretação da embalagem é grande.

O que encontramos

O achado mais importante só apareceu porque o teste foi com usuário leigo real: cerca de 26% usaram água da torneira em vez da filtrada disponível, por não terem lido a instrução, um desvio com implicação direta de segurança. O estudo também apontou fonte pequena na embalagem, dificuldade de abertura do envelope e ausência de orientação de descarte. Diluição fácil, encaixe macio do bico e frasco maleável foram validados positivamente.

Resultado

Aprovação mediante plano de ação, com correções priorizadas na embalagem (tamanho de fonte, destaque para "água filtrada", instrução de descarte) e na demarcação de abertura. Um comportamento de risco silencioso, identificado e corrigido antes do lançamento.

Case 05

Nefrologia

Sistema de tratamento de água por osmose reversa para hemodiálise

Recomendações implementadas
13operadores
6profissionais de saúde
7técnicos de manutenção
Sumativa+ Formativa
O desafio

Avaliar a usabilidade de um sistema de tratamento de água para diálise operado por dois públicos muito diferentes (assistência e manutenção), com tarefas técnicas e de segurança distintas.

O que encontramos

O estudo gerou achados acionáveis tanto de documentação quanto de design físico e, diferente de muitos relatórios que viram gaveta, as recomendações foram implementadas pelo fabricante.

Resultado

Instruções de manutenção preventiva reescritas com imagens, mais um roteiro de design priorizado: conexões hidráulicas codificadas por cor, botão de partida sem pressão contínua, feedback visual/tátil nas válvulas e guia rápido impresso para acompanhar o equipamento. Usabilidade que tornou o produto melhor e mais seguro.

O que está em jogo no setor

O custo de deixar o problema de uso chegar ao mercado

Estes números não representam valores economizados por nenhum cliente. São o contexto público do setor de dispositivos médicos, e a razão pela qual a engenharia de usabilidade deixou de ser opcional. Valores majoritariamente dos mercados EUA/global, apresentados como contexto internacional.

Recall é caro

A McKinsey estima que eventos não rotineiros de qualidade (recalls, advertências, litígios e garantias) custam ao setor de dispositivos médicos da ordem de US$ 2,5 a 5 bi por ano; um único recall de grande porte pode chegar a ~US$ 600 mi. Cerca de metade do custo vem da interrupção do negócio, não do recolhimento.

Reputação e valuation também sangram

Segundo a mesma análise da McKinsey, após um evento grave de qualidade, em média uma empresa por ano sofreu queda de cerca de 10% no valor das ações.

A causa-raiz costuma ser o design e a interface

Análises de dados de recall da FDA apontam que ~36% dos recalls de dispositivos (2010 a 2012) foram de origem de design, a causa mais comum. Historicamente, a FDA já associou de 45% a 50% dos recalls a design deficiente.

Erro de uso é central

A FDA estima que cerca de 1/3 dos incidentes com dispositivos envolve erro de uso, e que mais da metade dos recalls por problema de design está ligada à interface com o usuário. É exatamente isso que a engenharia de usabilidade ataca antes do lançamento.

Por isso é exigência, não diferencial

A análise sistemática de fatores humanos e usabilidade (ABNT NBR IEC 62366-1) integra os requisitos para registro de dispositivos médicos e é avaliada pela ANVISA e por órgãos como a FDA.

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