Regulação ANVISA

Erros que atrasam o registro na ANVISA de dispositivos médicos

Erros que atrasam o registro na ANVISA de dispositivos médicos

O atraso no registro ou cadastro de dispositivos médicos na ANVISA raramente acontece por um único motivo.

Na prática, ele é consequência de falhas acumuladas ao longo do desenvolvimento — especialmente na forma como o dossiê técnico é estruturado.

E aqui está o ponto mais crítico:

A ANVISA não avalia intenção.
Ela avalia evidência.

Se a evidência não está clara, rastreável e consistente, o resultado é previsível: exigência técnica, retrabalho e atraso.

Neste artigo, você vai entender os principais erros que atrasam o processo regulatório — e como evitá-los.


Falta de rastreabilidade entre risco, projeto e evidência

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Esse é, de longe, o erro mais comum.

Muitos fabricantes possuem:

  • Análise de risco (ISO 14971)
  • Documentação de projeto
  • Relatórios de testes

Mas esses elementos não conversam entre si.

O que a ANVISA espera é uma linha lógica clara:

Perigo → Situação perigosa → Dano → Medida de controle → Verificação → Validação

Sem essa conexão, o dossiê perde consistência.

E quando o auditor não consegue entender a lógica, ele não interpreta — ele questiona.


Usabilidade tratada como etapa final

A engenharia de usabilidade, conforme a IEC 62366-1, deve acontecer ao longo de todo o desenvolvimento.

Mas ainda é comum ver:

  • Teste de usabilidade feito apenas no final
  • Ausência de análise de tarefas críticas
  • Falta de ligação com o gerenciamento de risco

Isso gera um problema grave:

O teste vira um evento isolado — não evidência regulatória.

Com a RDC 751/2022, esse erro se tornou ainda mais crítico.

Hoje, todos os dispositivos médicos precisam demonstrar usabilidade estruturada.


Documentação inconsistente ou incompleta

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Outro fator recorrente de atraso é a inconsistência documental.

Exemplos clássicos:

  • Informações divergentes entre documentos
  • Versões desatualizadas
  • Falta de assinatura ou aprovação
  • Lacunas na justificativa técnica

Para a ANVISA, isso levanta uma dúvida imediata:

O processo é confiável?

E quando essa dúvida surge, a consequência é exigência.


Subestimar a complexidade das normas técnicas

Normas como:

  • IEC 62366-1
  • ISO 14971
  • IEC 62304

não são checklists.

Elas são estruturas de raciocínio técnico.

Um erro comum é:

  • “Cumprir a norma” sem entender sua lógica
  • Gerar documentos sem conexão prática com o produto

Isso resulta em um dossiê artificial — que não se sustenta em auditoria.


Testes desconectados do risco

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Outro erro crítico é realizar testes sem ligação com o risco.

Exemplo:

  • Testar funcionalidades genéricas
  • Ignorar tarefas críticas
  • Não justificar cenários de teste

A consequência é clara:

O teste não responde às perguntas regulatórias.

E isso leva a exigências ou necessidade de refazer a validação.


Falta de planejamento regulatório desde o início

Muitos projetos são conduzidos com foco apenas técnico ou comercial.

E o regulatório entra apenas no final.

Isso gera:

  • Retrabalho
  • Redesign de produto
  • Atraso no cronograma
  • Custos adicionais

Porque decisões tomadas no início impactam diretamente a evidência exigida depois.


Ignorar o impacto da RDC 751/2022

A RDC 751/2022 mudou o cenário regulatório no Brasil.

Principais impactos:

  • Ampliação da exigência de usabilidade
  • Reclassificação de produtos
  • Maior rigor na análise documental

Ignorar essas mudanças é um erro estratégico.


Conclusão: atraso regulatório não é azar — é estrutura

A maioria dos atrasos no registro na ANVISA não acontece por falhas pontuais.

Eles acontecem por:

  • Falta de integração entre áreas
  • Decisões de projeto não documentadas
  • Ausência de lógica técnica consistente

E isso pode ser evitado.

Quando o projeto é estruturado corretamente desde o início, o dossiê deixa de ser um problema — e passa a ser uma consequência natural do desenvolvimento.


Qual o principal motivo de atraso no registro na ANVISA?

A falta de rastreabilidade entre risco, projeto e evidência é o principal fator de exigências e atrasos.

Usabilidade pode reprovar um produto?

Sim. A ausência de evidência de usabilidade ou testes mal estruturados pode gerar exigências e impedir a aprovação.

A RDC 751/2022 aumentou a exigência regulatória?

Sim. Ela ampliou a obrigatoriedade de estudos de usabilidade e aumentou o rigor na análise dos dossiês.

Testes laboratoriais são suficientes para aprovação?

Não. É necessário demonstrar um conjunto completo de evidências, incluindo usabilidade, risco e documentação estruturada.

Como evitar exigências da ANVISA?

Com planejamento regulatório desde o início, integração entre áreas e documentação consistente e rastreável.

Vale a pena investir em usabilidade desde o início?

Sim. Isso reduz retrabalho, acelera aprovação e melhora a segurança do produto.


Sobre a MedUse

A MedUse é especializada em usabilidade para dispositivos médicos, apoiando fabricantes e empresas do setor de saúde no desenvolvimento de produtos mais seguros, eficazes e alinhados aos requisitos regulatórios.

Nossa equipe atua na estruturação de engenharia de usabilidade, documentação técnica e organização do backoffice regulatório para dispositivos médicos, ajudando empresas a atender requisitos da ANVISA e de normas internacionais aplicáveis ao setor.

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